Na Super Quarta desta semana, a primeira do ano, as decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil reforçaram diferenças nos estágios do ciclo monetário. A coincidência das reuniões do Federal Reserve e do Copom ampliou a relevância do dia para os mercados, tendo em vista que as definições das autoridades monetárias dos dois países influenciam expectativas, preços de ativos e a dinâmica dos fluxos internacionais de capitais.
Nos Estados Unidos, o Fed manteve a taxa básica de juros no intervalo de 3,50% a 3,75%, em decisão amplamente esperada. Em comunicado, o Fed destacou que a atividade econômica segue se expandindo em ritmo sólido, ao mesmo tempo em que reconheceu que a inflação permanece acima da meta. O mercado de trabalho apresentou sinais de estabilização, com ganhos de emprego mais modestos e taxa de desemprego em patamar ainda baixo. A decisão, aprovada por 10 votos a 2, evidenciou a divisão interna no Comitê, com parte dos membros defendendo cortes adicionais como forma de reduzir o risco de um enfraquecimento mais acentuado da atividade. Ainda assim, a autoridade monetária evitou sinalizações sobre o momento em que ocorrerão novos ajustes, reforçando a condução dependente dos dados.
No Brasil, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 15,00% ao ano, ressaltando que o ambiente externo segue marcado por elevada incerteza, especialmente em função da política econômica norte-americana e das tensões geopolíticas. No cenário doméstico, os indicadores confirmam uma desaceleração gradual da atividade, enquanto o mercado de trabalho continua apresentando resiliência. Apesar de algum arrefecimento recente, a inflação cheia e os seus núcleos permanecem acima da meta, e as expectativas seguem desancoradas para os horizontes mais longos.
Embora ambas as autoridades tenham optado pela manutenção das taxas de juros, as decisões refletem condições macroeconômicas e estágios distintos do ciclo monetário. O Fed opera em um ambiente de crescimento resiliente e inflação ainda elevada, enquanto o Copom enfrenta expectativas de inflação persistentemente acima da meta e maior sensibilidade a riscos domésticos, o que sustenta a necessidade de uma postura monetária mais restritiva.