SUPER QUARTA – 18.03.2026


Na segunda Super Quarta do ano, as decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil voltaram a evidenciar diferenças importantes entre os estágios do ciclo monetário em cada economia. A coincidência entre as reuniões do Federal Reserve e do Copom ampliou a relevância do dia para os mercados, na medida em que as definições das duas autoridades influenciam diretamente as expectativas, a precificação dos ativos e a dinâmica dos fluxos internacionais de capitais.

Nos Estados Unidos, o Fed manteve a taxa básica de juros no intervalo de 3,50% a 3,75%, em linha com o esperado. A decisão não foi unânime, o que sinaliza que ainda há visões distintas dentro do comitê quanto ao momento adequado para retomar os cortes. No comunicado, a autoridade monetária preservou a leitura de uma economia ainda resiliente, ao mesmo tempo em que reconheceu que a inflação segue acima da meta. Além disso, o agravamento das tensões no Oriente Médio adiciona um vetor relevante de incerteza, sobretudo por seu potencial de pressionar os preços de energia e dificultar a convergência inflacionária, o que ajuda a explicar a opção por manter os juros inalterados neste momento.

No Brasil, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 p.p., para 14,75% ao ano, mas manteve uma comunicação cautelosa. O Banco Central reconheceu sinais de desaceleração gradual da atividade, porém destacou que a inflação cheia, os núcleos e as expectativas ainda permanecem acima do nível compatível com a meta, especialmente nos horizontes mais longos. Nesse contexto, embora tenha havido espaço para um ajuste pontual, a sinalização geral segue sendo de prudência na condução da política monetária.
Embora as duas decisões tenham sido marcadas por cautela, elas refletem realidades macroeconômicas distintas. O Fed atua em um ambiente de crescimento ainda relativamente sólido, inflação resistente e aumento da incerteza geopolítica. Já o Copom, mesmo iniciando um movimento de flexibilização, continua lidando com expectativas desancoradas e com a necessidade de preservar uma postura restritiva por mais tempo. No fim, a Super Quarta reforçou que Fed e Copom seguem respondendo a realidades diferentes, ainda que ambos operem sob um ambiente de incerteza elevada.