RESUMO
No Brasil, o fim de 2025 foi marcado por desaceleração da atividade, apesar do mercado de trabalho ainda robusto. Já no início de 2026, a inflação registrou um aumento de 0,33% em janeiro e o Copom manteve a Selic em 15% a.a.. No exterior, os Estados Unidos mostraram desaceleração do emprego com atividade resiliente, enquanto a zona do euro seguiu com crescimento moderado. Já a China manteve expansão sustentada pelo setor externo.
NO BRASIL
Os indicadores referentes a dezembro, que foram divulgados em janeiro, apontaram arrefecimento da atividade econômica. O PMI de Serviços recuou de 53,7 para 51,3 pontos, mantendo-se em expansão, porém com desaceleração expressiva, refletindo crescimento mais fraco dos novos pedidos. Na indústria, o PMI de Manufatura recuou de 47,6 para 47,0 pontos, aprofundando a leitura de contração, com demanda mais fraca e recuo dos pedidos. Com isso, o PMI composto caiu de 52,1 para 49,9 pontos em dezembro, sinalizando atividade praticamente estagnada ao final de 2025, em um contexto de taxa de juros elevada.
Apesar da perda de tração observada ao final de 2025, o mercado de trabalho seguiu apresentando desempenho robusto. Os dados da PNAD Contínua, divulgados em janeiro e referentes ao trimestre encerrado em dezembro, mostraram que a taxa de desocupação recuou para 5,1%, o menor nível da série histórica iniciada em 2012. A população ocupada atingiu recorde de 103 milhões de pessoas, com expansão concentrada sobretudo no setor de serviços. Observou-se crescimento do emprego formal, redução da informalidade e queda da subutilização da força de trabalho.
Já confiança do consumidor interrompeu a trajetória de alta e passou a sinalizar maior cautela no início de 2026. Em janeiro, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 1,8 ponto, para 87,3 pontos, após quatro meses consecutivos de avanço. Observou-se piora tanto do Índice de Expectativas como do Índice de Situação Atual, indicando percepção mais frágil sobre as expectativas e as condições financeiras correntes.
No campo inflacionário, o IPCA registrou alta de 0,33% em janeiro, repetindo a variação observada em dezembro, com a inflação acumulada em doze meses avançando para 4,44%. No mês, Transportes liderou a variação e o impacto sobre o índice, com alta de 0,60% e contribuição de 0,12 p.p., pressionado principalmente pela elevação nos combustíveis e pelos reajustes nas tarifas de ônibus urbano. Em sentido oposto, Habitação recuou 0,11%, influenciado pela queda na energia elétrica residencial.
Na reunião de janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, em unanimidade, manter a taxa Selic em 15,00% ao ano. Em sua ata, o Copom destacou que o ambiente externo permanece incerto, com atenção à política econômica dos Estados Unidos e às tensões geopolíticas. No cenário doméstico, o Comitê ressaltou a moderação gradual da atividade e o desemprego em níveis historicamente baixos, além do quadro fiscal incerto. Apesar do avanço do processo de desinflação, as expectativas permanecem acima da meta, justificando a manutenção de juros, ao mesmo tempo em que o Comitê sinalizou que poderá iniciar o ciclo de flexibilização monetária nas próximas reuniões, caso o cenário esperado se confirme.
O quadro fiscal voltou a sinalizar deterioração, adicionando ruído ao cenário. O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 55 bilhões em 2025, equivalente a 0,43% do PIB, reforçando as preocupações com a trajetória das contas públicas. A Dívida Bruta do Governo Geral encerrou o ano em 78,7% do PIB, alta de 2,4 p.p. na comparação anual, enquanto a Dívida Líquida do Setor Público também apresentou elevação, atingindo 65,3% do PIB, ambas sendo impactadas, entre outros fatores, pela incorporação de juros nominais e pelo resultado primário.
Apesar desse contexto, os fluxos de capital estrangeiro mantiveram-se relevantes ao longo de 2025. O investimento direto no país encerrou o ano em US$ 77 bilhões, alta de 3,5% em relação a 2024, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Em contrapartida, as contas externas apresentaram deterioração, com déficit de US$ 68 bilhões no ano, influenciado principalmente pela redução do superávit da balança comercial, uma vez que as importações cresceram em ritmo superior ao das exportações, refletindo a resiliência da demanda doméstica.
NO MUNDO
O mercado de trabalho norte-americano voltou a mostrar perda de fôlego no início de 2026. O Payroll de dezembro indicou a criação de 50 mil empregos fora do setor agrícola, abaixo da expectativa de mercado e das 56 mil de novembro. Na mesma linha, o relatório da ADP mostrou que o setor privado criou 22 mil vagas em janeiro, número também abaixo do consenso. Apesar do enfraquecimento nas contratações, a taxa de desemprego recuou para 4,4%, sugerindo não haver, até o momento, sinais de deterioração abrupta do mercado de trabalho.
O cenário levou o Federal Reserve (Fed) a manter a taxa de juros dos EUA no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano em sua primeira reunião de 2026, interrompendo um ciclo de cortes. A decisão, amplamente esperada, reflete cautela diante da inflação persistente e desaceleração gradual da economia.
Já os indicadores de atividade dos Estados Unidos apresentaram comportamentos diferentes ao final de 2025. O PMI de Manufatura do ISM recuou para 47,9 pontos em dezembro, permanecendo em território contracionista pelo décimo mês consecutivo. Em sentido oposto, o PMI de Serviços avançou para 54,4 pontos, alcançando o maior nível do ano e reforçando a resiliência do setor. Em complemento, o recuo do subíndice de preços sugere alguma moderação das pressões inflacionárias.
Na Europa, o cenário inflacionário mostrou sinais de arrefecimento ao final de 2025. A inflação anual da zona do euro recuou para 1,9% em dezembro, após 2,1% em novembro, ficando ligeiramente abaixo da meta do Banco Central Europeu. O movimento foi influenciado principalmente pela contribuição negativa da energia, enquanto os serviços seguiram como principal vetor de pressão nos preços, reforçando um ambiente de inflação mais comportada.
No que se refere à atividade econômica, os dados indicaram manutenção de um ritmo moderado de crescimento. O PIB preliminar da zona do euro avançou 0,3% no quarto trimestre de 2025, repetindo o desempenho do trimestre anterior, enquanto na comparação anual a economia cresceu 1,3%.
Na China, os dados de 2025 reforçaram um quadro de crescimento sustentado por exportações, em meio a fragilidades domésticas persistentes. Neste contexto, o PIB avançou 5% no ano, em linha com a meta oficial. A inflação anual ao consumidor acelerou para 0,8% em dezembro, maior nível em quase três anos, ao passo que a deflação dos preços ao produtor persistiu, refletindo excesso de capacidade e demanda interna fraca. No setor externo, a balança comercial registrou superávit recorde de aproximadamente US$ 1,2 trilhão em 2025, com exportações crescendo para mercados fora dos Estados Unidos.
No campo geopolítico, o início de 2026 foi marcado pela elevação das tensões no eixo transatlântico, a partir da intensificação das declarações do presidente dos EUA sobre a Groenlândia. A pressão de Washington para anexar o território autônomo da Dinamarca, sob o argumento de segurança nacional e proteção do Ártico, gerou reação imediata da Europa e da Otan, com reforço da presença militar na região e articulação diplomática entre países do bloco. O episódio adicionou ruído ao ambiente internacional, reacendendo incertezas sobre a coesão da aliança e ampliando os riscos geopolíticos, em um contexto global já marcado por disputas entre Estados Unidos, China e Europa.
INVESTIMENTOS

Fonte: Quantum Axis. Elaboração: LEMA
Os ativos, em geral, apresentaram desempenhos positivos em janeiro, com exceção do Global BDRX, refletindo, entre outros fatores, uma desvalorização do dólar no período. Na renda fixa, os índices de títulos prefixados mais longos se destacaram, enquanto os atrelados à inflação registraram desempenho mais modesto, com destaque para os de menor duration. O comportamento dos índices refletiu o movimento de fechamento da curva de juros em janeiro.
Nesse contexto, observou-se uma dinâmica na precificação dos ativos que refletiu não apenas o movimento da curva, mas também as alterações nas projeções da inflação, o que causou um diferente impacto aos prefixados e atrelados à inflação, não seguindo o padrão de destaque a todos os ativos de maior duration em um momento de fechamento da curva.
No que se refere aos ativos mais conservadores, o CDI e o IRF-M 1 avançaram 1,16% e 1,20%, respectivamente, ambos superando a meta atuarial no período. Tais ativos seguem apresentando retornos aderentes à meta, em reflexo ao alto patamar de juros atual.
No que se refere à renda variável doméstica, o Ibovespa apresentou forte valorização de 12,56% no mês, atingindo recordes históricos. Esse movimento foi impulsionado, sobretudo, pelo fluxo de capital estrangeiro, o que tem favorecido mercados emergentes.
Quanto aos investimentos no exterior, o BDRX registrou seu pior desempenho mensal desde março de 2025, com recuo de 3,05%, impactado pela maior sensibilidade ao cenário geopolítico, além da desvalorização do dólar frente ao real. Após encerrar 2025 em alta, o S&P 500 apresentou valorização de 1,37% em janeiro de 2026, sustentada pelas expectativas em torno da divulgação dos resultados das empresas do setor de tecnologia.
Em síntese, o mês de janeiro foi marcado por forte valorização da renda variável brasileira, enquanto os ativos de renda fixa mais conservadores continuaram a apresentar desempenho consistente e alinhado à meta atuarial.
CONCLUSÃO

Fonte: Comdinheiro. Elaboração: LEMA
Conforme evidenciado no gráfico, a curva de juros apresentou fechamento em todos os seus vértices, com maior intensidade nos prazos intermediários. Esse comportamento é sustentado, principalmente, pela expectativa de redução da taxa de juros nos próximos meses, o que reflete o movimento observado de convergência gradual da inflação à meta, ainda que persistam incertezas associadas ao cenário futuro, que abrange fatores de curto e longo prazo, como o cenário eleitoral de 2026 e a sustentabilidade das contas públicas.
Embora a inflação acumulada tenha acelerado no último mês, as projeções seguem indicando certa convergência gradual à meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional. Ao mesmo tempo, desenvolvimentos recentes no ambiente político têm o potencial de ampliar a cautela dos agentes de mercado em relação à condução da política fiscal, especialmente durante o período eleitoral, elevando a percepção de risco. Neste contexto, os níveis atuais de juros ainda incorporam prêmios de risco elevados.
Os próximos movimentos da curva de juros permanecerão condicionados à evolução da inflação e à condução das políticas fiscal e monetária. Além dos fatores domésticos, que ganham relevância adicional em um contexto pré-eleitoral, elementos externos também exercem influência significativa sobre os ativos, como as oscilações do dólar e dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, que impactam a precificação dos ativos brasileiros.
Diante de um cenário caracterizado por juros elevados e pela expectativa de maior volatilidade ao longo de 2026, a adoção de estratégias de perfil mais conservador segue atrativa. Nesse contexto, os fundos atrelados ao CDI continuam apresentando desempenho consistente e aderente à meta, beneficiados pelo elevado patamar dos juros reais.
Por fim, a alocação direta em títulos públicos e privados com marcados na curva permanece como alternativa atraente, em função das taxas atualmente praticadas, que permitem retornos superiores à meta atuarial, além de proporcionar maior controle do risco de mercado da carteira como um todo.

ELABORAÇÃO
Davi Nascimento
Murilo Lima
REVISÃO
Felipe Mafuz
EDIÇÃO
Jefferson Privino
DISCLAMER
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