Boletim Econômico – 05.06.2026

INTERNACIONAL

PMIs dos EUA mostram expansão moderada, com indústria mais forte e serviços em desaceleração – A S&P Global divulgou nesta semana que os indicadores de atividade dos Estados Unidos permaneceram acima da linha de 50 pontos em maio, indicando expansão do setor privado, embora com comportamentos distintos entre os segmentos. O PMI industrial subiu de 54,5 pontos em abril para 55,1 pontos em maio, atingindo o maior nível em quatro anos. Em sentido oposto, o PMI de serviços caiu para 50,7 pontos, enquanto o PMI composto recuou para 51,5 pontos, sinalizando perda de ritmo no setor de serviços. Em conjunto, os dados indicam que a economia norte-americana segue em expansão, mas de forma desigual, com maior dinamismo da indústria e desaceleração dos serviços. Esse quadro mantém a atenção dos investidores sobre os próximos passos do Federal Reserve, diante de uma atividade ainda resiliente, mas com sinais de moderação.

Payroll dos EUA surpreende positivamente em maio – O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira (05) que a economia norte-americana criou 172 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola em maio, acima da projeção do mercado, que esperava abertura de 80 mil postos. Apesar da surpresa positiva, o resultado ficou levemente abaixo dos 179 mil empregos registrados em abril, após revisão. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%, em linha com as expectativas. Em conjunto, os dados indicam que o mercado de trabalho dos EUA segue resiliente, mesmo diante de sinais mistos na atividade econômica. Para o Federal Reserve, a manutenção de um mercado de trabalho ainda aquecido tende a reforçar a cautela na condução da política monetária, especialmente enquanto a inflação permanece acima da meta.

PIB da zona do euro recua no primeiro trimestre de 2026 – A Eurostat divulgou nesta quinta-feira (04) que o PIB da zona do euro caiu 0,2% no primeiro trimestre de 2026, em relação aos três meses anteriores. Na comparação anual, a economia do bloco ainda registrou crescimento de 0,3%, mas o resultado ficou abaixo das estimativas do mercado, que projetavam alta trimestral de 0,1% e avanço anual de 0,8%. A leitura reforça os sinais de fragilidade da atividade econômica na região, em um cenário de demanda moderada, incertezas externas e efeitos ainda presentes da política monetária restritiva. Para os mercados, o dado aumenta a atenção sobre os próximos passos do Banco Central Europeu, especialmente em relação à condução da política monetária nos próximos meses.

PMIs da China indicam expansão da atividade em maio – A S&P Global, em parceria com a RatingDog, divulgou nesta semana que os indicadores de atividade da China permaneceram acima da linha de 50 pontos em maio, indicando expansão do setor privado. O PMI industrial recuou de 52,2 pontos em abril para 51,8 pontos em maio, mas seguiu em território expansionista e ficou levemente acima das expectativas do mercado. Já o PMI de serviços avançou de 52,6 para 54,4 pontos, superando as projeções e registrando o ritmo mais forte de crescimento do setor em três meses. Em conjunto, os dados apontam para melhora da atividade chinesa, sustentada principalmente pelo setor de serviços, enquanto a indústria manteve expansão mais moderada. Apesar dos resultados positivos, ainda persistem desafios ligados ao consumo doméstico, ao setor imobiliário e às incertezas no comércio global.

EUA propõem tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros – O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos concluiu nesta segunda-feira (1º) uma investigação comercial contra o Brasil e propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros importados. A medida foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA e ainda passará por etapas de consulta antes de uma decisão final. Entre os setores mais expostos à taxação estão máquinas e equipamentos industriais, produtos de plástico, calçados, produtos de madeira, papel cartão, ferro fundido, peixes e crustáceos. Por outro lado, a proposta prevê exceções para itens como determinadas carnes, frutas, café, chá, cereais, sementes, minerais, terras raras, aeronaves e peças aeronáuticas, além de produtos químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes. Caso seja confirmada, a medida pode elevar o custo de entrada de parte dos produtos brasileiros no mercado norte-americano, afetar setores exportadores específicos e trazer maior cautela às relações comerciais entre os dois países. A existência de uma etapa de consulta, contudo, ainda mantém espaço para negociação antes da implementação definitiva da tarifa.

NACIONAL

PMIs do Brasil indicam perda de ritmo da atividade em maio – A S&P Global divulgou nesta semana que os indicadores de atividade do Brasil mostraram desaceleração em maio, com piora mais evidente na indústria e menor dinamismo nos serviços. O PMI industrial caiu de 52,6 pontos em abril para 49,1 pontos em maio, retornando ao campo de contração ao ficar abaixo da linha de 50 pontos. Já o PMI de serviços recuou de 52,3 para 50,4 pontos, permanecendo em território expansionista, mas próximo da estabilidade. Com isso, o PMI composto, que reúne indústria e serviços, caiu para 49,5 pontos, também abaixo da linha de 50. Em conjunto, os dados sugerem perda de fôlego da atividade econômica no mês, em meio à demanda mais moderada, pressões de custos e juros ainda elevados, fatores que tendem a limitar uma aceleração mais consistente da economia no curto prazo.

Produção industrial do Brasil cresce 0,7% em abril – O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (03) que a produção industrial brasileira avançou 0,7% em abril, na comparação com março, acumulando ganho de 4,4% em quatro meses consecutivos de alta. Frente a abril de 2025, a indústria cresceu 3,1%, enquanto no acumulado do ano registrou avanço de 2,8%. O resultado foi influenciado principalmente pelo desempenho positivo das indústrias extrativas e de parte dos segmentos da indústria de transformação. Apesar da sequência favorável, o setor ainda opera em um ambiente de juros elevados, o que tende a conter uma retomada mais intensa da produção, especialmente nos segmentos mais sensíveis ao crédito e à demanda doméstica.

Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 7,8 bilhões em maio – O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou nesta quarta-feira (03) que a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,823 bilhões em maio. As exportações somaram US$ 31,904 bilhões, alta de 6,6% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto as importações chegaram a US$ 24,081 bilhões, avanço de 5,3%. O desempenho das vendas externas foi favorecido principalmente pelo aumento dos preços médios dos produtos exportados, que compensou a queda no volume embarcado. Entre os destaques, houve crescimento nas exportações da agropecuária, impulsionadas pela soja, e da indústria de transformação, com contribuição de combustíveis, carne bovina e farelo de soja. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o país registrou superávit de US$ 32,662 bilhões, mantendo o setor externo como um ponto de sustentação das contas externas brasileiras.

Fluxo cambial brasileiro fica positivo em US$ 743 milhões em maio – O Banco Central divulgou nesta quarta-feira (03) que o fluxo cambial brasileiro registrou entrada líquida de US$ 743 milhões em maio. O resultado foi sustentado pelo canal comercial, que apresentou saldo positivo de US$ 8,653 bilhões no mês, enquanto o canal financeiro registrou saída líquida de US$ 7,910 bilhões. No acumulado de 2026 até maio, o fluxo cambial total ficou positivo em US$ 14,051 bilhões, refletindo superávit de US$ 24,306 bilhões no fluxo comercial e saída líquida de US$ 10,254 bilhões pelo canal financeiro. Os dados mostram que o fluxo comercial continuou contribuindo para a entrada de divisas no país, enquanto o canal financeiro seguiu no campo negativo, em meio a um ambiente de maior seletividade dos investidores.

Estrangeiros retiram R$ 14,9 bilhões da B3 em maio – Os investidores estrangeiros retiraram R$ 14,91 bilhões da B3 em maio, considerando apenas as operações no mercado secundário, segundo levantamento com base em dados da bolsa. O resultado marcou a maior saída mensal de recursos estrangeiros desde janeiro de 2022. Quando considerados também os aportes em IPOs e follow-ons, a saída líquida foi de R$ 13,27 bilhões no mês. Apesar do fluxo negativo em maio, o saldo acumulado em 2026 ainda permanece positivo, em R$ 41,63 bilhões. O movimento sugere maior cautela dos investidores estrangeiros com ativos brasileiros no curto prazo, em um ambiente de maior seletividade para mercados emergentes.

Data Referência (29/04/2026 até 04/05/2026):

CDI: 0,21%

Global BDRX: -0,20%

Ibovespa: -2,70%

IDkA IPCA 2 Anos: -0,39%

IMA Geral ex-C: -0,3529-

IMA-B: -1,16%

IMA-B 5: -0,41%                                                                  

IMA-B 5+: -1,77%

IRF-M: -0,84%

IRF-M 1: 0,13%

IRF-M 1+: -1,22%

S&P 500 (Moeda Original): -0,13%

IPCA + 6,31%: 0,12%