Ata do Copom – 278ª Reunião – 05 de maio de 2026

A ata da reunião do Copom, divulgada nesta terça-feira (05), trouxe uma sinalização relevante sobre o estágio atual da política monetária no Brasil. Embora o Comitê tenha optado por dar continuidade ao ciclo de flexibilização, com a redução da Selic para 14,50% ao ano, o tom do documento reforça que o ambiente ainda exige cautela.

Do ponto de vista externo, o cenário permanece desafiador. A intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio, somada às incertezas em relação à condução da política econômica nos Estados Unidos, tem elevado a volatilidade dos mercados e pressionado preços de commodities. Esse contexto tende a dificultar o processo de desinflação, especialmente para economias emergentes, que são mais sensíveis a choques externos.

No ambiente doméstico, a leitura do Banco Central segue consistente com uma desaceleração gradual da atividade econômica, reflexo dos efeitos defasados de uma política monetária restritiva por período prolongado. Ainda assim, os dados mais recentes indicam algum nível de recomposição da atividade no início de 2026. O mercado de trabalho continua resiliente, com desemprego em patamares historicamente baixos e crescimento real dos rendimentos, o que contribui para sustentar a demanda interna.                           

O principal ponto de atenção da ata está na dinâmica inflacionária. Diferentemente do que vinha sendo observado anteriormente, as últimas leituras apontaram aceleração da inflação, tanto no índice cheio quanto nas medidas subjacentes. Além disso, as expectativas seguem acima da meta em todos os horizontes relevantes, indicando um quadro de desancoragem que exige maior rigor na condução da política monetária.

Nesse sentido, o Copom reforça que, em um ambiente de expectativas desancoradas, a taxa de juros precisa permanecer em patamar restritivo por mais tempo. Esse ponto é central, pois limita o espaço para cortes mais acelerados da Selic, mesmo diante de sinais de moderação da atividade.

As projeções do cenário de referência indicam inflação de 4,6% em 2026 e de 3,5% no horizonte relevante, em 2027. Ainda assim, o balanço de riscos segue pressionado. Entre os vetores de alta, destacam-se a persistência da inflação de serviços, a possibilidade de novos choques externos e a manutenção das expectativas acima da meta. Por outro lado, uma desaceleração mais intensa da atividade econômica, tanto no Brasil quanto no exterior, ou uma queda adicional nos preços das commodities poderiam contribuir para um cenário mais benigno.

Na avaliação do Comitê, a redução de 0,25 ponto percentual na Selic é compatível com o atual estágio do ciclo, no qual convivem sinais de desaceleração da economia e pressões inflacionárias ainda relevantes. Ao mesmo tempo, a autoridade monetária deixa claro que a continuidade do processo de flexibilização dependerá da evolução do cenário, especialmente no que se refere às expectativas de inflação e ao ambiente externo.

Em síntese, a ata reforça uma mensagem importante para o mercado. O ciclo de cortes não está encerrado, mas deve ocorrer de forma gradual e condicionada aos dados. O nível de incerteza permanece elevado, e a condução da política monetária seguirá guiada por uma abordagem cautelosa, com foco na convergência da inflação à meta ao longo do horizonte relevante.