O Banco Central do Brasil divulgou, nesta terça-feira (3), a Ata da 276ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada nos dias 27 e 28 de janeiro. Na ocasião, o colegiado decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 15,00% a.a., ao mesmo tempo em que sinalizou a possibilidade de início do ciclo de flexibilização monetária na próxima reunião, condicionada à confirmação do cenário esperado.
No cenário externo, o Copom avaliou que o ambiente global segue marcado por incertezas, em especial diante da conjuntura e da política econômica dos Estados Unidos, além da elevação das tensões geopolíticas. Apesar disso, o Comitê observou algum arrefecimento recente das incertezas de curto prazo, com preços das principais commodities mais contidos e condições financeiras ainda favoráveis.
Em relação ao cenário doméstico, o Comitê destacou que a atividade econômica segue trajetória de moderação, conforme esperado, enquanto o mercado de trabalho permanece resiliente. A taxa de desemprego segue em patamares historicamente baixos e os rendimentos reais continuam em trajetória de crescimento, fator que contribui para a persistência de pressões inflacionárias, sobretudo no setor de serviços.
No debate fiscal, o Copom voltou a enfatizar a importância da harmonia entre as políticas fiscal e monetária. O Comitê ressaltou que a política fiscal afeta tanto a demanda agregada no curto prazo quanto a percepção de sustentabilidade da dívida no horizonte mais longo, influenciando o prêmio de risco da curva de juros e o processo de convergência da inflação à meta.
No que se refere à inflação, o Comitê reconheceu a continuidade do processo de arrefecimento, tanto no índice cheio quanto nas medidas subjacentes, favorecido por um câmbio mais apreciado e comportamento mais benigno das commodities. Ainda assim, as expectativas de inflação permanecem acima da meta em todos os horizontes relevantes, exigindo a manutenção do patamar de juros em níveis ainda restritivos durante o ano de 2026.
No cenário de referência, as projeções do Copom indicam inflação de 3,4% em 2026 e de 3,2% no terceiro trimestre de 2027. O balanço de riscos segue elevado, com fatores de alta e de baixa para a inflação, destacando-se a
desancoragem das expectativas por período prolongado, a resiliência da inflação de serviços e os riscos associados ao ambiente econômico global.
Na decisão, o Copom optou por manter a taxa Selic em 15,00% a.a. e avaliou que a estratégia atual tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê sinalizou que, caso o cenário esperado se confirme, poderá iniciar o processo de flexibilização monetária na próxima reunião, reforçando que o ritmo e a magnitude do ciclo dependerão de condições externas, evolução dos dados e do grau de confiança no processo de desinflação.