IPCA-15 sobe 0,89% em abril e acumula alta de 4,37% em 12 meses
Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (28), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), indicador que antecipa a inflação oficial, registrou alta de 0,89% em abril de 2026, acelerando em relação ao resultado de março, de 0,44%. No acumulado em 12 meses, o índice avançou 4,37%, abaixo das expectativas de mercado, que apontavam para variação mensal de 1,00% e anual de 4,48%.
Na abertura por grupos, Alimentação e bebidas exerceu o maior impacto sobre o índice, com alta de 1,46% e contribuição de 0,31 p.p., seguida por Transportes, que avançou 1,34% e respondeu por impacto de 0,27 p.p. Os nove grupos pesquisados apresentaram variação positiva no período, com resultados entre 0,05% em Educação e 1,46% em Alimentação e bebidas, evidenciando disseminação das pressões inflacionárias no mês.
No grupo Alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio acelerou de 1,10% em março para 1,77% em abril, com destaque para altas em cenoura, cebola, leite longa vida e tomate, além da continuidade de pressão em carnes. Em sentido oposto, itens como maçã e café moído apresentaram recuo. A alimentação fora do domicílio também acelerou de 0,35% para 0,70%, refletindo maiores reajustes em refeições e lanches.
Em Despesas pessoais, a alta de 0,60% refletiu reajustes em serviços bancários e empregado doméstico, mantendo pressão relevante no núcleo de serviços. Já Saúde e cuidados pessoais avançou 0,93%, influenciada por planos de saúde e itens de higiene.
No grupo Habitação, a alta de 0,42% refletiu principalmente o resultado da energia elétrica residencial, que passou de 0,68% em março para 0,29% em abril, além dos reajustes nas tarifas de água e esgoto em algumas capitais. Em Transportes, além da elevação nas passagens aéreas, os combustíveis registraram forte alta no período, com destaque para a gasolina, que avançou 6,23% e respondeu pelo principal impacto individual sobre o índice do mês.
Em relação às expectativas, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (27) elevou a projeção para o IPCA de 2026 para 4,86%, patamar acima do intervalo de tolerância da meta, mantendo o tema inflacionário no centro das atenções para a condução da política monetária.