Análise Técnica – 17.06.26

IBC-Br volta a avançar em abril, mas sinaliza ritmo mais moderado da economia

Segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (17), o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) avançou 0,5% em abril frente a março, na série com ajuste sazonal. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, que estimava alta de 0,6%, indicando que a atividade iniciou o segundo trimestre em crescimento, mas ainda sem força suficiente para afastar a leitura de desaceleração na margem.

A alta no mês foi sustentada principalmente pelo desempenho da indústria e dos serviços, que registraram avanços de 0,4% e 0,3%, respectivamente. Já a agropecuária ficou estável no período, após ter contribuído de forma mais relevante para o crescimento da economia no início do ano.

O avanço de abril veio após a queda registrada em março, quando o indicador havia recuado 0,7%. Com isso, o dado mais recente mostra uma recuperação parcial da atividade, mas em ritmo controlado. Na comparação com abril de 2025, o IBC-Br apresentou alta de 0,9%, enquanto, no acumulado em 12 meses, passou a registrar crescimento de 1,6%.

Apesar da melhora mensal, o resultado ainda aponta para uma economia menos aquecida do que no início do ano. A combinação de juros elevados, crédito mais seletivo e inflação pressionada tende a limitar o consumo e os investimentos, especialmente em setores mais sensíveis ao custo do dinheiro.

A leitura reforça um cenário de moderação da atividade econômica, ainda que sem perda acentuada de dinamismo. O dado de abril mostra que a economia segue crescendo, mas com menor intensidade, em linha com os efeitos defasados da política monetária restritiva.

No que se refere às expectativas, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (15) projeta crescimento do PIB de 1,96% em 2026, acima dos 1,91% estimados na semana anterior. O relatório também elevou as projeções para IPCA e Selic, reforçando um ambiente em que a atividade ainda demonstra resistência, mas permanece condicionada por juros altos e inflação acima do centro da meta.