IPCA sobe 0,82% em setembro e acumula alta de 4,58% em 12 meses
Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (9), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,82% em setembro, após a queda de 0,32% registrada em agosto. O resultado veio acima das expectativas do mercado, que apontavam alta de aproximadamente 0,73%, segundo pesquisa da Reuters. Com a leitura, o índice acumula alta de aproximadamente 3,95% no ano e de 4,58% nos últimos 12 meses, acima dos 4,22% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.
A aceleração observada no mês foi influenciada principalmente pelo grupo Habitação, que avançou 2,31% e exerceu o maior impacto sobre o índice. O movimento reflete, sobretudo, a recomposição dos preços da energia elétrica residencial após o efeito temporário do Bônus de Itaipu, que havia contribuído de forma relevante para a deflação registrada em agosto. Além da Habitação, os grupos Transportes, com alta de 0,89%, e Alimentação e bebidas, com avanço de 0,83%, também contribuíram para a elevação do índice no período.
O resultado de setembro confirma, portanto, a expectativa de reversão de parte da queda observada no mês anterior. Em agosto, a redução das tarifas de energia havia exercido influência significativa sobre o índice, enquanto, em setembro, o encerramento desse efeito provocou uma recomposição dos preços. Ao mesmo tempo, a alta dos alimentos e de outros componentes mostra que as pressões inflacionárias não ficaram restritas apenas à energia, reforçando a necessidade de acompanhamento da composição do índice nos próximos meses.
Com a leitura de setembro, o IPCA acumulado em 12 meses voltou a superar o limite superior de 4,50% do intervalo de tolerância da meta de inflação, cujo centro é de 3,00%. O resultado representa uma reversão em relação a agosto, quando a inflação acumulada havia recuado para 4,22%. Apesar de parte relevante da aceleração estar relacionada à recomposição dos preços da energia elétrica, o avanço de outros grupos mantém a inflação como um dos principais pontos de atenção para a condução da política monetária.
Para os RPPS, o cenário segue exigindo postura prudente e diligente na condução dos investimentos. A aceleração da inflação amplia a importância do acompanhamento da meta atuarial e pode reduzir o espaço para uma flexibilização mais rápida da política monetária. Atualmente, a taxa Selic encontra-se em 13,75% ao ano, após a redução promovida pelo Copom em setembro. Nesse ambiente, as próximas decisões do Banco Central deverão continuar condicionadas à evolução da inflação, das expectativas e dos demais indicadores de atividade econômica.
Nesse contexto, as estratégias de renda fixa permanecem relevantes para as carteiras dos RPPS. Os ativos atrelados ao CDI continuam oferecendo rentabilidade elevada em termos nominais diante do atual patamar da taxa básica de juros, enquanto os títulos públicos indexados à inflação podem contribuir para a proteção do poder de compra e para a compatibilização dos investimentos com as obrigações atuariais dos regimes. Títulos prefixados e indexados à inflação marcados a mercado podem se beneficiar de eventual fechamento da curva de juros, embora permaneçam sujeitos a maior volatilidade, especialmente nos vencimentos de maior duration.
No campo das expectativas, o Boletim Focus mais recente projeta inflação de 5,01% ao final de 2026 e de 4,30% em 2027. Para a Selic, a mediana das projeções aponta para uma taxa de 13,50% ao final de 2026, indicando expectativa de espaço adicional limitado para redução dos juros até o encerramento do ano. Dessa forma, o resultado do IPCA de setembro reforça a necessidade de cautela na condução das carteiras, preservando liquidez, diversificação, aderência à meta atuarial e compatibilidade com o fluxo de obrigações de cada RPPS.