Ata do Copom – 281ª Reunião – 15 e 16 de setembro de 2026

A ata da reunião do Copom, divulgada nesta terça-feira (22), reforçou que a condução da política monetária seguirá pautada pela cautela e pela evolução do cenário econômico e inflacionário. Na reunião, o Comitê reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, destacando a necessidade de manter um grau adequado de restrição monetária para assegurar a convergência da inflação à meta.

Do ponto de vista externo, o cenário permanece incerto diante dos conflitos no Oriente Médio e das indefinições relacionadas à política monetária de algumas economias avançadas. Esse ambiente segue ampliando a volatilidade dos preços de ativos e commodities, exigindo cautela adicional por parte das economias emergentes.

No ambiente doméstico, o Banco Central avalia que a atividade econômica mantém trajetória de moderação, especialmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, conforme confirmado pelos dados do PIB do segundo trimestre. O mercado de crédito livre também apresenta desaceleração, enquanto o crédito direcionado segue em expansão. O mercado de trabalho permanece aquecido, embora apresente sinais de arrefecimento no crescimento da ocupação e dos rendimentos.

Em relação aos preços, o Comitê destacou que a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, mas ainda acima da meta. Apesar desse movimento, a inflação permanece pressionada pela demanda, enquanto os efeitos da política monetária restritiva sobre a atividade econômica vêm se acumulando gradualmente. O Copom também ressaltou a necessidade de monitorar possíveis efeitos de segunda ordem dos choques de oferta.

As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira (21), permanecem acima da meta, situando-se em 4,92% para 2026 e 4,30% para 2027. Segundo o Comitê, a persistência da desancoragem das expectativas exige uma restrição monetária maior e por um período mais prolongado, elevando o custo do processo de desinflação.

No cenário de referência, as projeções do Copom indicam inflação de 5,2% em 2026, 3,9% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária. O balanço de riscos permanece mais elevado que o usual, com assimetria altista, diante da possibilidade de maior persistência da inflação de serviços, prolongamento da desancoragem das expectativas e impactos de choques de oferta.

O Comitê também reforçou a importância da política fiscal, destacando que incertezas sobre a estabilização da dívida pública, a expansão do crédito direcionado e o enfraquecimento das reformas estruturais podem elevar a taxa de juros neutra e aumentar o custo do processo de desinflação. Nesse contexto, voltou a enfatizar a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas, previsíveis e críveis.

Em síntese, a ata reforça que, apesar da continuidade do ciclo de redução da Selic e dos sinais de desaceleração da atividade econômica e da inflação, o cenário ainda exige cautela. O Copom reiterou que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada conforme a evolução dos dados, mantendo a restrição monetária necessária para assegurar a convergência da inflação à meta.