Resumo 1º Semestre de 2026

O primeiro semestre de 2026 foi marcado por um ambiente econômico desafiador, caracterizado por juros ainda elevados, inflação acima da meta, fragilidade fiscal e volatilidade nos mercados. No Brasil, a atividade econômica avançou no início do ano, com crescimento de 1,1% do PIB no primeiro trimestre. Entretanto, os indicadores divulgados posteriormente passaram a sinalizar moderação do ritmo de expansão. O mercado de trabalho permaneceu resiliente, contribuindo para a sustentação da renda e do consumo das famílias.

No campo inflacionário, os preços permaneceram pressionados ao longo do semestre, com destaque para os grupos de alimentação, habitação, energia elétrica e serviços. Embora alguns indicadores tenham apontado desaceleração na margem, a inflação seguiu acima da meta, mantendo as expectativas em níveis elevados. Nesse contexto, o Copom iniciou o ciclo de flexibilização monetária, reduzindo a taxa Selic de 15,00% para 14,25% ao ano, mas preservou uma comunicação cautelosa, condicionando novos cortes à evolução da inflação, da atividade econômica, das expectativas e do quadro fiscal.

No cenário fiscal, as preocupações permaneceram relevantes ao longo do semestre, diante da persistência dos déficits públicos, do elevado nível de endividamento e das incertezas quanto à capacidade de cumprimento das metas estabelecidas. Em maio, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões, enquanto a Dívida Bruta do Governo Geral alcançou 81,1% do PIB. Esse quadro manteve elevada a percepção de risco fiscal, influenciando as expectativas do mercado e aumentando a sensibilidade dos ativos domésticos.

No ambiente externo, a economia dos Estados Unidos manteve-se resiliente, embora tenham surgido sinais de moderação no mercado de trabalho, enquanto o Fed preservou a taxa de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. Na zona do euro, a atividade permaneceu enfraquecida, e a inflação ainda acima da meta levou o BCE a elevar os juros em 0,25p.p. em junho, para 2,40% a.a.. Na China, a economia apresentou expansão moderada, ainda limitada pela fragilidade da demanda interna, pelas pressões no setor imobiliário e pelo menor impulso do comércio exterior.

O cenário geopolítico também contribuiu para a volatilidade dos mercados, especialmente em razão das tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. Os riscos de interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz elevaram os preços da commodity e os prêmios de risco em determinados momentos. Contudo, a sinalização de um cessar-fogo em junho favoreceu a forte queda das cotações do petróleo, reduzindo parte das preocupações relacionadas à inflação global e aos custos de energia.

No que se refere aos investimentos, o semestre apresentou desempenho positivo, embora desigual entre os diferentes índices e, em grande parte, inferior à meta atuarial. Os principais destaques foram o S&P 500, que avançou 8,75%, o CDI, com retorno de 6,91%, o Ibovespa, que acumulou 6,76%, e o IRF-M 1, que registrou valorização de 6,69%.

Na renda fixa, os ativos de menor duration foram favorecidos pelo elevado patamar da taxa Selic, com destaque para o CDI e o IRF-M 1. Os índices de prazo mais curto atrelados à inflação também apresentaram desempenho próximo à meta atuarial, como o IMA-B 5, que acumulou 6,54%, e o IDkA IPCA 2 Anos, com retorno de 6,30%. Por outro lado, os ativos de maior duration registraram desempenho mais limitado, refletindo a manutenção de prêmios elevados na curva de juros diante das incertezas fiscais e inflacionárias.

Na renda variável, o Ibovespa apresentou retorno positivo de 6,76%, embora acompanhado de elevada volatilidade ao longo do período. No exterior, o S&P 500 foi o principal destaque, com valorização de 8,75%, enquanto o Global BDRX apresentou desempenho mais moderado, de 3,54%. O resultado do índice de BDRs refletiu a valorização dos ativos internacionais, parcialmente compensada pelos efeitos da variação cambial ao longo do semestre.

Dessa forma, o primeiro semestre de 2026 reforçou a relevância das estratégias mais conservadoras nas carteiras dos RPPS, especialmente aquelas vinculadas ao CDI e aos vértices mais curtos da curva de juros. Ao mesmo tempo, o período evidenciou a maior sensibilidade dos ativos de duration mais longa às incertezas fiscais e inflacionárias, bem como aos movimentos de reprecificação da curva. A renda variável, por sua vez, apresentou desempenho favorável, embora tenha permanecido sujeita a níveis mais elevados de volatilidade.

Fonte: Quantum Axis. Elaboração: LEMA.

ELABORAÇÃO

Eduarda Benício

Murilo Lima

REVISÃO

Felipe Mafuz

EDIÇÃO

Jefferson Privino

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