Análise Técnica – 10.07.26

IPCA sobe 0,16% em junho, fica abaixo do esperado e acumula alta de 4,64% em 12 meses: quais os impactos para a carteira de investimentos dos RPPS?

Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (10), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,16% em junho, desacelerando em relação à alta de 0,58% registrada em maio e ficando abaixo das expectativas do mercado, que indicavam avanço de 0,31%. Com esse resultado, o índice acumula elevação de 3,36% no primeiro semestre de 2026 e alta de 4,64% nos últimos 12 meses.

O resultado do mês foi influenciado principalmente pelo grupo Habitação, que apresentou a maior variação e o maior impacto sobre o índice, com alta de 0,63% e contribuição de 0,10 ponto percentual. Apesar disso, o grupo desacelerou em relação a maio, quando havia avançado 1,22%. O principal destaque foi a energia elétrica residencial, que subiu 1,53%, após alta de 3,67% no mês anterior, e exerceu o maior impacto individual sobre o IPCA de junho, de 0,06 ponto percentual. O resultado refletiu a permanência da bandeira tarifária amarela, além da incorporação de reajustes nas tarifas de energia elétrica em algumas regiões do país.

Na sequência, o grupo Despesas pessoais apresentou alta de 0,25%, influenciado principalmente pelos aumentos nos serviços de empregado doméstico e de cabeleireiro e barbeiro. Saúde e cuidados pessoais também avançou 0,23%, com destaque para os artigos de higiene pessoal, especialmente perfumes, e para os planos de saúde, que incorporaram parte do reajuste autorizado para 2026.

O grupo Transportes registrou alta de 0,17%, influenciado principalmente pelo avanço de 7,12% nas passagens aéreas. Em sentido contrário, os combustíveis apresentaram queda de 0,48%, com recuos no etanol, no óleo diesel, no gás veicular e na gasolina, contribuindo para limitar uma alta mais intensa do grupo no período.

Por outro lado, Alimentação e bebidas apresentou queda de 0,24%, após avançar 1,33% em maio, exercendo o maior impacto negativo sobre o índice, de 0,05 ponto percentual. A alimentação no domicílio recuou 0,39%, refletindo principalmente as quedas nos preços do café moído, das frutas e das carnes. Já a alimentação fora do domicílio desacelerou de 0,49% em maio para 0,15% em junho.

Apesar da desaceleração observada no mês, o IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,64%, acima do limite superior de 4,50% do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, cujo centro é de 3,00%. Embora o resultado represente recuo em relação aos 4,72% registrados nos 12 meses encerrados em maio, o cenário ainda exige acompanhamento, especialmente diante das pressões observadas em itens como energia elétrica, serviços e passagens aéreas.

Para os RPPS, o ambiente segue exigindo postura prudente e diligente na condução dos investimentos. A desaceleração do índice mensal representa um sinal favorável, mas a inflação acumulada em 12 meses ainda acima do limite superior da meta e as expectativas pressionadas para o restante de 2026 reforçam a perspectiva de manutenção dos juros em patamar elevado.

Nesse contexto, as estratégias de renda fixa continuam favorecidas, especialmente as alocações em ativos atrelados ao CDI e em títulos públicos marcados na curva, que seguem oferecendo taxas atrativas e menor volatilidade. Ao mesmo tempo, permanece necessária cautela com ativos mais sensíveis à marcação a mercado, sobretudo aqueles de maior duration. Assim, a gestão dos RPPS deve priorizar o controle de riscos, a manutenção de liquidez adequada e a compatibilidade dos investimentos com a meta atuarial e com o fluxo de obrigações do regime. No campo das expectativas, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central projeta inflação de 5,30% ao final de 2026 e de 4,18% em 2027. As estimativas indicam que o mercado ainda espera uma convergência gradual da inflação, embora em ritmo lento e com o índice permanecendo acima do centro da meta no horizonte analisado.