Boletim Econômico – 19.06.2026

INTERNACIONAL

Fed mantém juros nos EUA e reforça cautela com inflação – O Federal Reserve decidiu nesta quarta-feira (17) manter a taxa de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, em decisão amplamente esperada pelo mercado. No comunicado, a autoridade monetária destacou que a atividade econômica segue em expansão sólida, enquanto a inflação permanece elevada em relação à meta de 2%. O comitê também reafirmou o compromisso com a estabilidade de preços e o pleno emprego, indicando que seguirá avaliando os próximos indicadores antes de alterar a condução da política monetária. Para os mercados, a manutenção dos juros reforça um cenário de cautela nos Estados Unidos, com reflexos sobre a curva de juros global, o dólar e o fluxo de recursos para economias emergentes.

Inflação da zona do euro acelera para 3,2% em maio – A Eurostat divulgou nesta quarta-feira (17) que a inflação anual ao consumidor da zona do euro subiu para 3,2% em maio, ante 3,0% em abril. Na União Europeia, o índice também acelerou, passando de 3,2% para 3,3% no período. A alta foi influenciada principalmente pelos preços de serviços, alimentos, álcool e tabaco, que seguiram pressionando o índice. O resultado reforça a cautela em relação à trajetória da inflação no bloco e mantém a atenção dos mercados sobre os próximos passos do Banco Central Europeu, especialmente após a recente elevação dos juros na região.

Produção industrial da China cresce, mas varejo recua em maio – O Escritório Nacional de Estatísticas da China divulgou nesta terça-feira (16) que a produção industrial do país avançou 4,5% em maio, na comparação com o mesmo mês de 2025, acima do resultado de abril e das expectativas do mercado. Por outro lado, as vendas no varejo recuaram 0,6% no período, registrando a primeira queda em mais de três anos e sinalizando fragilidade do consumo doméstico. Em conjunto, os dados mostram uma economia chinesa ainda desigual, com melhor desempenho da indústria, especialmente em setores de maior valor agregado, enquanto a demanda interna segue pressionada. O resultado reforça a atenção sobre o ritmo de recuperação da China e a possibilidade de novas medidas de estímulo à atividade nos próximos meses.

Banco do Japão eleva juros e sinaliza cautela com inflação – O Banco do Japão elevou nesta terça-feira (16) sua taxa básica de juros para 1,00%, maior patamar em 31 anos. A decisão reflete a preocupação da autoridade monetária com a inflação acima da meta de 2%, em um cenário de iene enfraquecido, alta do petróleo e incertezas geopolíticas no Oriente Médio. O banco central também indicou que pode continuar ajustando os juros caso as pressões inflacionárias persistam, marcando uma mudança gradual na política monetária japonesa após anos de juros muito baixos. Para os mercados, o movimento chama atenção pelos possíveis efeitos sobre o câmbio, os fluxos globais de capital e o custo de financiamento internacional.

EUA e Irã adiam diálogo e ampliam incertezas sobre trégua – As negociações entre Estados Unidos e Irã, que estavam previstas para ocorrer nesta sexta-feira (19) na Suíça, foram adiadas, aumentando as incertezas sobre a consolidação de uma trégua no Oriente Médio. O adiamento ocorreu em meio à continuidade das tensões na região e à falta de consenso sobre pontos ligados ao programa nuclear iraniano, à segurança regional e ao transporte de energia. Para os mercados, a indefinição mantém o tema no radar, principalmente pelo impacto potencial sobre os preços do petróleo, as cadeias globais de energia e a percepção de risco no cenário internacional.

NACIONAL

Copom reduz Selic para 14,25% ao ano – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (17) reduzir a taxa Selic em 0,25 p.p., de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão foi unânime e veio em linha com a expectativa predominante do mercado. Apesar do corte, a taxa básica de juros segue em patamar elevado, refletindo a preocupação da autoridade monetária com a inflação ainda acima da meta e com as incertezas no cenário econômico. No comunicado, o Banco Central indicou que os próximos passos seguirão dependentes da evolução dos indicadores de inflação, atividade econômica e expectativas, mantendo uma postura cautelosa na condução da política monetária.

Varejo brasileiro recua 1,5% em abril e surpreende negativamente – O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (16) que o volume de vendas do comércio varejista caiu 1,5% em abril, na comparação com março, resultado pior do que o esperado pelo mercado. Na comparação com abril de 2025, o varejo ainda registrou alta de 1,0%, enquanto no acumulado do ano avançou 2,0% e, em 12 meses, 1,5%. A queda mensal foi influenciada principalmente pelo desempenho negativo de combustíveis e lubrificantes, além de outros segmentos do comércio. O resultado reforça sinais de perda de ritmo do consumo, em um ambiente ainda marcado por juros elevados, crédito mais restritivo e maior cautela das famílias.

IBC-Br avança 0,5% em abril, mas aponta moderação da atividade – O Banco Central divulgou nesta quarta-feira (17) que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, avançou 0,5% em abril frente a março, na série com ajuste sazonal. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,6%, mas mostrou recuperação após a queda de 0,7% registrada em março. Na comparação com abril de 2025, o indicador cresceu 0,9%, enquanto no acumulado em 12 meses avançou 1,6%. A alta mensal foi sustentada principalmente pela indústria e pelos serviços, enquanto a agropecuária ficou estável no período. Apesar da melhora, o dado reforça uma leitura de crescimento mais moderado da economia, em meio aos efeitos dos juros elevados, do crédito mais seletivo e da inflação ainda pressionada.

Brasil segue com maior juro real do mundo após decisão do Copom – Segundo levantamento da MoneYou divulgado após a decisão do Copom nesta quarta-feira (17), mesmo com a redução da Selic para 14,25% ao ano, o Brasil permaneceu na liderança do ranking global de juros reais. Considerando a taxa básica descontada da inflação projetada para os próximos 12 meses, o juro real brasileiro ficou em 9,67% ao ano, acima de países como Turquia, Rússia e México. O resultado reforça que, apesar do início do ciclo de cortes, a política monetária brasileira segue em patamar bastante restritivo, com efeitos sobre o crédito, o consumo, os investimentos e a atividade econômica. Para o mercado, a manutenção de juros reais elevados também segue influenciando a atratividade relativa dos ativos domésticos e o comportamento do câmbio.

Fitch reafirma rating do Brasil em BB com perspectiva estável – A Fitch Ratings reafirmou nesta semana a nota de crédito soberano do Brasil em BB, com perspectiva estável. Segundo a agência, a decisão reflete a combinação entre uma economia diversificada, renda per capita mais elevada que a de pares com a mesma classificação e forte capacidade de absorção de choques, mas também considera desafios como o elevado nível da dívida pública, a rigidez fiscal e o baixo potencial de crescimento. A manutenção da perspectiva estável indica que a agência não espera alteração relevante da nota no curto prazo, embora siga monitorando a evolução das contas públicas, da política fiscal e da trajetória da dívida. Para os mercados, a decisão reforça a importância da sustentabilidade fiscal para a percepção de risco do país.

Data Referência (12/06/2026 até 18/05/2026):

CDI: 0,27%
Global BDRX: 3,14%
Ibovespa: -1,88%
IDkA IPCA 2 Anos: -0,16%
IMA Geral ex-C: -0,07%
IMA-B: -0,71%
IMA-B 5: -0,15%
IMA-B 5+: -1,16%
IRF-M: -0,21%
IRF-M 1: 0,29%
IRF-M 1+: -0,40%
S&P 500 (Moeda Original): 1,44%
IPCA + 6,31%: 0,20%