Análise Técnica – 12.05.2026

IPCA sobe 0,67% em abril e acumula alta de 4,39% em 12 meses: o que muda para os RPPS?

Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (12), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,67% em abril, desacelerando em relação à alta de 0,88% registrada em março. Com esse resultado, o índice acumula elevação de 2,60% no ano e 4,39% em 12 meses, acima dos 4,14% observados no período imediatamente anterior.

Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram aumento de preços, com destaque para Alimentação e bebidas e Saúde e cuidados pessoais, que responderam conjuntamente por parcela relevante da inflação do mês. O grupo Alimentação e bebidas liderou as altas, com avanço de 1,34% e impacto de 0,29% ponto percentual no índice geral. O resultado foi impulsionado principalmente pela elevação de 1,64% em Alimentação no domicílio, com influência de artigos como cenoura (26,63%) e leite longa vida (13,66%).

O grupo Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 1,16%, contribuindo com 0,16 ponto percentual para o índice, refletindo principalmente a aceleração do subgrupo de produtos farmacêuticos (1,77%), após a reajuste de até 3,81% nos preços dos medicamentos, a partir de 1° de abril. Outro destaque foi o artigo de higiene pessoal (1,57%), com destaque para o perfume (1,94%).

Na sequência, o grupo Habitação apresentou variação de 0,63%, contribuindo 0,10 ponto percentual para o índice, enquanto Artigos de residência avançou 0,65%.

O avanço da inflação também ocorre em um ambiente externo ainda marcado por tensões geopolíticas e volatilidade nos preços internacionais das commodities, especialmente do petróleo. Esse cenário tende a manter pressão sobre combustíveis, custos logísticos e cadeias de transporte, com possíveis efeitos indiretos sobre alimentos e demais bens e serviços da economia.

Apesar da desaceleração na comparação mensal, a inflação segue acima da meta perseguida pelo Banco Central. Atualmente, a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3,00%, com limite máximo de 4,50%. Nesse contexto, o mercado mantém atenção elevada em relação à trajetória dos juros. Para os RPPS, o cenário continua favorecendo estratégias mais conservadoras, principalmente ativos atrelados ao CDI e títulos públicos marcados na curva com taxas reais ainda elevadas. Ao mesmo tempo, o ambiente segue exigindo cautela com ativos mais sensíveis à curva de juros, especialmente em vencimentos mais longos, diante da volatilidade provocada pelas expectativas inflacionárias e fiscais.

No campo das expectativas, o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (11), projeta inflação de 4,91% ao final de 2026 e de 4,00% para 2027, sinalizando expectativa de convergência gradual para níveis mais próximos da meta nos próximos anos.

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