IPCA avança 0,88% em março e acumula alta de 4,14% em 12 meses
Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (10), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,88% em março, acelerando em relação à alta de 0,70% registrada em fevereiro. Com esse resultado, o índice acumula elevação de 1,92% no ano e 4,14% em 12 meses, acima dos 3,81% observados no período imediatamente anterior.
Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram aumento de preços, com destaque para Transportes e Alimentação e bebidas, que, em conjunto, responderam por 76% do resultado mensal. O grupo Transportes liderou as altas, com avanço de 1,64% e impacto de 0,34 ponto percentual no índice geral. Esse resultado foi impulsionado principalmente pela elevação de 4,47% nos combustíveis, com destaque para a gasolina, que subiu 4,59% e exerceu o principal impacto individual no IPCA do mês.
O grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 1,56%, contribuindo com 0,33 ponto percentual para o índice e apresentando aceleração significativa em relação a fevereiro. No segmento de alimentação no domicílio, os preços avançaram 1,94%, influenciados principalmente pelos aumentos do tomate, cebola, batata-inglesa, leite longa vida e carnes. Já a alimentação fora do domicílio subiu 0,61%, refletindo o aumento nos preços de lanches e a manutenção da alta nas refeições.
Na sequência, o grupo Despesas pessoais apresentou variação de 0,65%, enquanto Saúde e cuidados pessoais avançou 0,42%, com influência relevante do aumento nos planos de saúde. O grupo Habitação registrou alta de 0,22%, incorporando a elevação de 0,13% na energia elétrica residencial, ainda sob vigência da bandeira tarifária verde, sem cobrança adicional aos consumidores. Os demais grupos apresentaram variações mais moderadas no mês.
O avanço da inflação ocorre em ambiente externo ainda pressionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, com potenciais impactos sobre rotas estratégicas de escoamento, como o Estreito de Ormuz. Esse cenário tende a sustentar os preços internacionais do petróleo em patamares elevados, com transmissão para os combustíveis e efeitos secundários sobre custos logísticos, transporte, alimentos e demais bens e serviços da economia.
No campo das expectativas, o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (6), projeta inflação de 4,36% ao final de 2026 e de 3,85% para 2027, sinalizando expectativa de convergência gradual para níveis mais próximos ao centro da meta nos próximos anos.