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O banco paraguaio quebrou. O que seu RPPS pode aprender com isso.

3 min de leitura

Um grande banco paraguaio entrou em colapso. Os clientes tomaram as ruas do país. Isso custou o cargo do presidente do país. Esse episódio só aconteceu porque os bancos são obrigados a comprovarem o alinhamento dos ativos com os passivos, assim como o ALM do teu RPPS te orienta.

Artigo por Gustavo Leite, Sócio LEMA

Um grande banco paraguaio entrou em colapso. Os clientes tomaram as ruas do país. Isso custou o cargo do presidente do país.

Esse episódio só aconteceu porque os bancos são obrigados a comprovarem o alinhamento dos ativos com os passivos, assim como o ALM do teu RPPS te orienta.

O estudo de ALM, que ainda é reduzido à escolha dos vencimentos dos títulos públicos, o que significa desperdiçar uma de suas funções mais importantes: avaliar a capacidade de um RPPS cumprir suas obrigações previdenciárias ao longo do tempo. Mais do que orientar investimentos, o ALM permite identificar desequilíbrios, antecipar necessidades de liquidez e avaliar a sustentabilidade financeira do regime em diferentes cenários.

No dia 2 de novembro, o Banco Central do Paraguai determinou o início do processo de resolução do Ueno bank, após constatar que seu índice de solvência estava abaixo de 50% do mínimo exigido. A insuficiência foi identificada após ajustes nas demonstrações financeiras da instituição, durante um processo de regularização.

O caso expõe uma questão que também deveria preocupar os gestores previdenciários: ter patrimônio não significa, necessariamente, ter capacidade de honrar todas as obrigações futuras.

É evidente que bancos e RPPS possuem estruturas, obrigações e critérios de solvência distintos. Mas compartilham um desafio fundamental: administrar recursos presentes para cumprir compromissos que se estendem no tempo.

É justamente nessa relação que o ALM revela seu maior valor.

Ao integrar a carteira de investimentos às projeções atuariais, o estudo permite avaliar a evolução dos recursos disponíveis, identificar períodos de insuficiência financeira, mensurar a exposição a riscos e testar a capacidade do regime de cumprir suas obrigações sob diferentes condições econômicas.

Seus resultados podem revelar situações que uma simples análise de rentabilidade não identifica.

Um RPPS pode superar a meta atuarial e continuar caminhando para uma insuficiência de recursos. Pode ter uma carteira de títulos públicos com vencimentos bem distribuídos e, ainda assim, apresentar desequilíbrios estruturais. Pode ter liquidez suficiente para os próximos anos, mas depender de aportes crescentes para sustentar os benefícios futuros.

O ALM não resolve esses problemas por si só. Entretanto, quando bem estruturado, permite identificá-los com antecedência e oferece informações para decisões sobre investimentos, financiamento e equacionamento de desequilíbrios.

A própria Resolução CMN nº 5.272/2025 estabelece a solvência, a liquidez e a adequação dos investimentos à natureza das obrigações entre os princípios da gestão dos recursos previdenciários.

Portanto, a pergunta que os gestores deveriam fazer não é apenas quais títulos públicos comprar ou quando eles devem vencer.

É se os recursos, as receitas e a estratégia de investimentos do RPPS serão suficientes para pagar os benefícios prometidos.

A crise do banco paraguaio mostra a gravidade que uma insuficiência patrimonial pode alcançar.

No RPPS, o ALM ajuda a reconhecer esse risco antes que ele se transforme em uma necessidade urgente de financiamento.

Afinal, de pouco adianta saber quando os títulos vão vencer se não sabemos se os recursos serão suficientes para pagar as aposentadorias.

ELABORAÇÃO

Gustavo Leite

EDIÇÃO

Jefferson Privino

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