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Mercado registra forte volatilidade após resultado eleitoral

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O mercado financeiro brasileiro registrou forte desvalorização nesta segunda-feira (26/10), em reação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Leia mais!

O mercado financeiro brasileiro registrou forte desvalorização nesta segunda-feira (26/10), em reação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado contrariou as expectativas de parte dos investidores, que vinham precificando a possibilidade de vitória do Flávio Bolsonaro, provocando uma rápida revisão das posições de mercado. A reação foi marcada pela queda expressiva das ações, disparada do dólar e abertura da curva de juros. A intensidade dos movimentos esteve associada, principalmente, ao aumento da percepção de risco fiscal e às incertezas sobre a condução da política econômica no próximo mandato.

Na renda variável, a B3 acionou o circuit breaker após o Ibovespa atingir queda de 10%, interrompendo as negociações por 30 minutos. Na mínima intradiária, o índice recuou 17,34%, aos 169.516 pontos, encerrando o pregão aos 176.608 pontos, com desvalorização de 13,88%. A pressão vendedora atingiu diferentes segmentos, com destaque para o Índice Small Cap (SMLL), que apresentou queda de 26,92%, evidenciando a maior sensibilidade das empresas de menor capitalização ao aumento dos juros e dos prêmios de risco. O Índice de Dividendos (IDIV) também apresentou perdas expressivas, com recuo de 13,57%. Empresas de varejo, construção civil e setores mais dependentes do crédito estiveram entre as mais pressionadas, enquanto algumas exportadoras apresentaram desempenho relativamente mais favorável diante da valorização cambial.

Na renda fixa, a forte abertura da curva de juros futuros pressionou os preços dos títulos públicos prefixados e indexados à inflação, especialmente aqueles com vencimentos mais longos, devido à maior sensibilidade às oscilações das taxas de mercado. Diante da elevada volatilidade, o Tesouro Nacional cancelou os leilões regulares de títulos públicos prefixados e indexados à inflação previstos para a semana, mantendo a oferta de títulos pós-fixados vinculados à Selic. Adicionalmente, realizou recompra extraordinária de aproximadamente R$ 7,1 bilhões em títulos públicos prefixados, envolvendo vencimentos de cinco, sete e dez anos, buscando proporcionar liquidez ao mercado secundário e reduzir movimentos desordenados nas taxas de juros, contribuindo para a preservação do funcionamento do mercado de títulos públicos.

 

No mercado cambial, o dólar comercial encerrou a sessão cotado a R$ 5,40, com valorização de 8,21% frente ao real, registrando sua maior alta diária em vinte e sete anos. Durante o pregão, a moeda norte-americana chegou a atingir R$ 5,60, avanço de 12,25%, antes de reduzir parte dos ganhos ao longo da tarde. O movimento esteve associado à rápida reversão de posições dos investidores após o resultado eleitoral, ao aumento da demanda por proteção cambial e à elevação dos prêmios de risco dos ativos brasileiros, em um ambiente de maior incerteza quanto à condução da política fiscal.

Apesar da intensidade dos movimentos, as reações observadas nos primeiros dias após as eleições não devem ser interpretadas como indicativos definitivos sobre a trajetória dos ativos brasileiros. Para os RPPS, a abertura da curva de juros pressiona a rentabilidade de curto prazo dos ativos marcados a mercado, enquanto a manutenção de taxas de juros elevadas preserva a atratividade relativa dos investimentos pós-fixados. É fundamental manter a calma e evitar decisões precipitadas em momentos de estresse e elevada volatilidade. Ressaltamos que a gestão dos recursos previdenciários deve considerar a natureza de longo prazo dos compromissos dos RPPS, mantendo níveis de liquidez compatíveis com os fluxos de pagamento das obrigações projetadas. Nesse contexto, eventuais ajustes nas carteiras devem observar o equilíbrio entre rentabilidade, risco e liquidez, bem como a aderência dos investimentos às necessidades atuariais. Destacamos, ainda, que o atual período de elaboração das Políticas de Investimentos para 2027 representa uma oportunidade para revisar as estratégias de alocação, considerando os diferentes cenários econômicos e as condições de mercado, sem permitir que oscilações pontuais determinem mudanças precipitadas nas diretrizes de investimento.

ELABORAÇÃO

Murilo Lima

REVISÃO

Felipe Mafuz

EDIÇÃO

Jefferson Privino

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