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Eleições de meio de mandato nos Estados Unidos: quais os impactos para os mercados financeiros?

4 min de leitura

A vitória democrata aliviou os mercados, mas a queda das ações de chips virou o jogo no dia seguinte. Veja os efeitos para as carteiras dos RPPS.

Eduarda Benício, do Núcleo Técnico da LEMA, ao lado do título "Eleições nos EUA: os impactos do meio de mandato nos mercados".

Os mercados reagiram em dois tempos às eleições de meio de mandato de terça-feira (3) nos Estados Unidos. O resultado não altera a política econômica brasileira, mas afeta os ativos locais por meio do dólar, dos juros americanos, do petróleo e do apetite global por risco.

Na quarta-feira (4), a vitória democrata derrubou os juros dos Treasuries e o dólar no exterior. As pendências fiscais em Washington, porém, continuam, já que o financiamento temporário do governo americano vence em 11 de dezembro. O Ibovespa subiu 1,23%, aos 167.563 pontos, e interrompeu seis quedas seguidas. O dólar caiu 0,64%, a R$ 5,45, e o DI para janeiro de 2035 recuou para cerca de 15% ao ano. Após o fechamento, o Copom manteve a Selic em 13,75% e pausou o ciclo de cortes. O Brent desabou 8,7%, a US$ 94,62, com a expectativa de maior pressão por um acordo que encerre a guerra com o Irã. A queda do petróleo pressionou fortemente as ações de Petrobras, PRIO e Brava.

Na quinta-feira (5), o cenário virou. O Nasdaq caiu 5,5%, a maior queda desde abril de 2025, e entrou em correção. O S&P 500 recuou 4,4% e o Dow Jones, 3,4%. As ações de chips foram as mais atingidas, com o índice do setor em queda de 12%, a Nvidia recuando 9,3% e AMD e Micron, 17%.

O gatilho foi o próprio resultado eleitoral. Além do Congresso, os democratas venceram em estados como Texas e Geórgia, polos de novos data centers e onde há resistência da população a esses projetos. O mercado passou a temer licenciamento mais lento e limites ao fornecimento de energia. Menos data centers significam menos compras de chips, memória e equipamentos elétricos, justamente os setores que mais caíram. Como essas empresas estão entre as maiores da bolsa americana, a queda delas arrastou os índices. O setor já vinha sensível havia meses ao custo elevado de financiar essas obras. Para parte dos analistas, a venda foi ampliada pela desalavancagem de fundos.

O ETF das Sete Magníficas (MAGS), que reúne com pesos iguais Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla, caiu 4,88%, a US$ 66,85, pouco menos que o Nasdaq. As maiores quedas do grupo foram as da Tesla, de 10,8%, e da Nvidia, de 9,3%. As outras cinco caíram menos que o S&P 500, entre 1,5% (Apple) e 4% (Meta).

No Brasil, o Ibovespa chegou perto dos 169 mil pontos, mas fechou em queda de 0,82%, aos 166.191 pontos, pressionado também pela Petrobras e pelo risco fiscal. O dólar subiu 0,67%, a R$ 5,48.

Para os RPPS, a reversão observada entre quarta e quinta-feira indica que juros, câmbio e commodities podem permanecer voláteis. Nos fundos de BDR e de renda variável no exterior, a queda das empresas de tecnologia tem efeito direto, uma vez que alguns dos principais índices americanos têm peso expressivo no setor. Nos fundos sem proteção cambial, a variação do dólar também influencia o resultado em reais, pois a valorização da moeda atenua as perdas, enquanto a desvalorização as amplia. Na quinta-feira, essa compensação foi limitada diante da intensidade da queda.

Na renda fixa, as estratégias pós-fixadas e de menor duration seguem relevantes para o controle da volatilidade das carteiras. Já as alocações em renda variável e no exterior devem ser avaliadas de forma seletiva, conforme o perfil de risco, as necessidades de liquidez e os objetivos atuariais de cada regime, sempre em conformidade com a Política de Investimentos e os limites regulamentares.

É nesse contexto que os regimes elaboram as Políticas de Investimentos para 2027, momento oportuno para revisar essas exposições. As decisões em Washington nas próximas semanas podem afetar o câmbio e as bolsas. Ainda assim, a volatilidade de poucos pregões não justifica, por si só, mudanças na estratégia de investimentos.

Fontes: B3, Congresso dos Estados Unidos, ICE Futures Europe, Nasdaq, S&P Dow Jones Indices e Reuters.

Foto e mini bio de Eduarda Benício, do Núcleo Técnico da LEMA.

ELABORAÇÃO

Eduarda Benício

REVISÃO

Álvaro Dezidério

EDIÇÃO

Igor Nobre

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