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Copom mantém a taxa Selic em 13,75% ao ano

3 min de leitura

O Copom manteve a Selic em 13,75% e pausou os cortes. Veja o que pesou na decisão e os efeitos para as carteiras dos RPPS, do CDI à duration.

Eduarda Benício, do Núcleo Técnico da LEMA, ao lado do título "Copom mantém a Selic em 13,75%: pausa nos cortes e atenção à inflação".

Na reunião desta quarta-feira (04), a primeira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Copom decidiu por unanimidade manter a Selic em 13,75% ao ano. Com isso, interrompeu a sequência de cinco cortes de 0,25 ponto percentual iniciada em março. A decisão foi tomada em meio à maior volatilidade dos ativos brasileiros e à incerteza sobre a condução da política fiscal.

Os conflitos no Oriente Médio seguem pressionando o petróleo e seus derivados, enquanto a política monetária mais restritiva nas economias avançadas torna o ambiente externo mais adverso. Para o Copom, esse quadro exige cautela dos países emergentes, em meio à maior volatilidade dos preços de ativos e commodities.

No Brasil, a atividade econômica apresentou moderação mais acentuada, principalmente nos setores mais cíclicos. O mercado de trabalho ainda se mostra resiliente, embora já dê sinais de desaquecimento. Essa desaceleração tende a reduzir as pressões de demanda, mas, por enquanto, não compensou a piora dos indicadores de inflação.

A inflação cheia e a média das medidas subjacentes aceleraram nas divulgações mais recentes e ficaram acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta. As expectativas também se afastaram do objetivo, elevando o custo de trazer a inflação de volta à meta e reforçando a cautela do Comitê.

O último Relatório Focus, divulgado nesta terça-feira (3), antes da decisão do Copom, mostrou alta nas medianas das projeções para o IPCA, de 5,19% para 5,22% em 2026 e de 4,34% para 4,76% em 2027. Para a Selic, o mercado projetava 13,50% ao fim deste ano e 12,50% ao fim de 2027. No cenário de referência do Banco Central, a projeção para o IPCA é de 5,6% em 2026 e 4,7% em 2027. Para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, a estimativa subiu para 3,5%. A projeção reforça o desafio de reduzir a inflação, mesmo com a Selic em nível substancialmente contracionista.

O balanço de riscos segue inclinado para a alta dos preços. O Copom destacou a desancoragem das expectativas, a persistência da inflação de serviços, a depreciação cambial e possíveis pressões de demanda. O Comitê também acompanha os efeitos da política fiscal sobre a condução da política monetária e os ativos financeiros. Uma desaceleração mais intensa da atividade no Brasil e no exterior, assim como a queda das commodities, poderia atuar na direção oposta.

Para os investimentos dos RPPS, a manutenção da Selic preserva o elevado carrego das estratégias pós-fixadas atreladas ao CDI. Já a incerteza sobre inflação, câmbio e política fiscal mantém a curva de juros sensível e exige atenção às posições de maior duration. Eventual alongamento da carteira deve estar alinhado ao passivo, ao horizonte de investimento e à tolerância à volatilidade de cada regime.

Assim, a manutenção da Selic em 13,75% interrompe o ciclo de cortes diante da piora das expectativas de inflação e das incertezas externas e fiscais, sem que o Copom sinalize quando poderá retomar a flexibilização monetária.

Fontes: Banco Central do Brasil (Comunicado do Copom e Relatório Focus).

Foto e mini bio de Eduarda Benício, do Núcleo Técnico da LEMA

ELABORAÇÃO

Eduarda Benício

REVISÃO

Álvaro Dezidério

EDIÇÃO

Igor Nobre

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