Boletim Econômico – 30.10.2026
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Ibovespa em queda após as eleições, desemprego de 5,2% e Fed com juros mantidos: confira os destaques da economia no Brasil e no mundo na semana.

INTERNACIONAL
Fed mantém juros entre 3,75% e 4,00% ao ano – O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (28) manter a taxa básica de juros no intervalo entre 3,75% e 4,00% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. A decisão, entretanto, não foi unânime, com dez votos favoráveis à manutenção e dois membros defendendo uma elevação de 0,25 ponto percentual. Em comunicado, a autoridade monetária destacou que a atividade econômica americana segue em ritmo forte, enquanto a inflação permanece elevada, exigindo cautela na condução da política monetária. Apesar da pausa no ciclo de aperto monetário, a possibilidade de novos aumentos dos juros permanece no radar, especialmente diante das pressões inflacionárias e das incertezas geopolíticas. O Fed ressaltou que as próximas decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos, mantendo o compromisso de conduzir a inflação à meta de 2%.
Inflação PCE dos EUA avança 0,5% em setembro – De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Departamento do Comércio dos Estados Unidos, o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) avançou 0,5% em setembro, acumulando alta de 3,6% em 12 meses. O resultado ficou em linha com as expectativas dos analistas consultados pela FactSet, que projetavam as mesmas variações. Já o núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, registrou alta de 0,3% no mês e de 3,1% na comparação anual, também conforme as estimativas do mercado. O PCE é considerado a principal medida de inflação acompanhada pelo Federal Reserve (Fed) na condução da política monetária americana.
PIB dos Estados Unidos cresce 3,4% no terceiro trimestre – Segundo estimativa preliminar divulgada nesta quinta-feira (29) pelo Bureau of Economic Analysis (BEA), a economia dos Estados Unidos cresceu 3,4% no terceiro trimestre de 2026, em taxa anualizada, superando a expectativa de 3,2% dos economistas consultados pela Reuters. O resultado foi impulsionado principalmente pelo consumo das famílias, que avançou 3,8%, e pelos investimentos empresariais relacionados à inteligência artificial, que compensaram os impactos da elevação dos preços do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio. Apesar do crescimento acima do esperado, a confiança dos consumidores apresentou deterioração, enquanto parte dos economistas demonstrou preocupação com a dependência dos investimentos em inteligência artificial para sustentar a expansão econômica.
Banco Central Europeu mantém taxa de juros – O Banco Central Europeu (BCE) decidiu nesta quinta-feira (29) manter a taxa de juros sobre depósitos em 2,5%, enquanto as taxas de refinanciamento e de empréstimos marginais permaneceram em 2,65% e 2,90%, respectivamente. A decisão ocorre em meio à elevação dos preços da energia e às incertezas econômicas, que representam riscos de maior inflação e menor crescimento na zona do euro. Durante a coletiva, a presidente do BCE, Christine Lagarde, destacou que os efeitos do choque energético ainda estão se desenvolvendo, embora a inflação subjacente permaneça relativamente estável e os salários não apresentem uma reação significativa. A autoridade monetária reafirmou o compromisso de estabilizar a inflação na meta de 2% no médio prazo e ressaltou que as próximas decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos, sem estabelecer uma trajetória antecipada para os juros.
Petróleo avança com tensões no Oriente Médio e caminha para quarta alta mensal consecutiva – Os preços internacionais do petróleo avançaram nesta sexta-feira (30), impulsionados pelo aumento das preocupações com o abastecimento global diante da continuidade dos conflitos no Oriente Médio. O movimento ganhou força após um ataque a um petroleiro no Estreito de Ormuz, importante rota de transporte da commodity, além de novas ameaças à infraestrutura petrolífera da Arábia Saudita. O Brent e o WTI registraram valorização superior a 2% durante a manhã, caminhando para o quarto mês consecutivo de ganhos. Apesar das tentativas de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, as incertezas geopolíticas continuam pressionando as cotações e elevando os riscos de novas interrupções na oferta global de petróleo.
NACIONAL
Ibovespa registra forte queda após reeleição de Lula – O mercado financeiro brasileiro apresentou forte volatilidade nesta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais. O Ibovespa encerrou o pregão com queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, após atingir perdas superiores a 17% durante a sessão, levando a B3 a acionar o mecanismo de circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações. No mercado cambial, o dólar avançou 8,21%, encerrando o dia cotado a R$ 5,40, enquanto os juros futuros registraram forte alta, pressionando os preços dos títulos públicos prefixados e indexados à inflação. A reação refletiu a revisão das expectativas dos investidores após o resultado eleitoral, além do aumento das preocupações com a política fiscal e a condução econômica no próximo mandato presidencial.
Tesouro Nacional recompra R$ 31,6 bilhões em títulos após alta dos juros futuros – O Tesouro Nacional realizou operações extraordinárias de recompra de títulos públicos na segunda-feira (26) e na terça-feira (27), em resposta à forte elevação dos juros futuros após o resultado das eleições presidenciais. Ao longo dos dois dias, as operações totalizaram R$ 31,6 bilhões, envolvendo títulos prefixados e indexados à inflação, com o objetivo de reduzir a volatilidade e melhorar as condições de liquidez no mercado de títulos públicos. Além disso, o Tesouro cancelou os leilões regulares de títulos previstos para a semana. O movimento ocorreu em meio ao aumento das preocupações com a política fiscal e à revisão das expectativas dos investidores sobre a condução da economia no próximo mandato presidencial.
Dívida bruta atinge 82,93% do PIB e dívida líquida chega a 70% em setembro – Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Banco Central (BC), a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu 82,93% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, ligeiramente acima dos 82,87% registrados em agosto, alcançando o maior patamar desde março de 2021. O resultado reflete principalmente os efeitos dos juros sobre o endividamento público, parcialmente compensados pelo resgate líquido de títulos pelo Tesouro Nacional e pelo crescimento da atividade econômica. Já a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) avançou de 69,3% para 70,0% do PIB, equivalente a aproximadamente R$ 9,4 trilhões. Os indicadores reforçam a atenção sobre a trajetória do endividamento público e os desafios para a sustentabilidade fiscal do país.
Desemprego recua para 5,2% no terceiro trimestre de 2026 – Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no trimestre encerrado em setembro, atingindo o menor nível da série histórica para o período, iniciada em 2012. O resultado ficou abaixo dos 5,6% registrados no mesmo trimestre de 2025 e se aproximou da mínima histórica de 5,1%, observada em dezembro do ano passado. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), aproximadamente 5,63 milhões de brasileiros estavam desempregados. Os dados reforçam a resiliência do mercado de trabalho brasileiro, que permanece aquecido, apesar dos sinais de moderação da atividade econômica.
IGP-M desacelera para 1,47% em outubro – A Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou nesta quinta-feira (29) que o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) avançou 1,47% em outubro, abaixo da alta de 1,57% registrada em setembro e das expectativas do mercado. Com o resultado, o indicador acumula alta de 4,97% no ano e de 5,24% em 12 meses. A desaceleração foi influenciada principalmente pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M), que avançou 1,93%, após alta de 2,08% no mês anterior, refletindo a menor pressão dos produtos agropecuários. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) também desacelerou, passando de 0,50% para 0,45%, enquanto o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) acelerou de 0,25% para 0,35%.
Data Referência (23/10/2026 até 29/10/2026):
CDI: 0,25%
Global BDRX: 6,59%
Ibovespa: -17,11%
IDkA IPCA 2 Anos: -1,51%
IMA Geral ex-C: -2,08%
IMA-B: -5,67%
IMA-B 5: -1,72%
IMA-B 5+: -7,91%
IRF-M: -4,38%
IRF-M 1: -0,16%
IRF-M 1+: -5,77%
S&P 500 (Moeda Original): 0,74%
IPCA + 6,31%: 0,17%