Boletim Econômico – 06.11.2026
6 min de leitura
Selic mantida em 13,75%, payroll dos EUA com 165 mil vagas e indústria em queda: confira os destaques da economia no Brasil e no mundo na semana.

INTERNACIONAL
Vitória democrata reduz incerteza nos EUA, mas aumenta preocupação com ações de tecnologia – O Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3) e assumirá o controle do Congresso em janeiro, nos dois últimos anos do governo de Donald Trump. O presidente reconheceu o resultado. A definição ajudou a reduzir a incerteza política e impulsionou as bolsas de Nova York na quarta-feira (4), quando o Dow Jones subiu 3,03%, maior alta diária desde abril de 2025, e o S&P 500 avançou 1,58%. A queda do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries também acompanhou o movimento. Na quinta-feira (5), porém, o Nasdaq recuou 5,52%, sua maior queda diária desde abril de 2025, e entrou em correção técnica. O S&P 500 caiu 4,36%, com perdas concentradas em fabricantes de chips e empresas ligadas a data centers, diante do receio de regras mais rígidas para a inteligência artificial. Na sexta-feira (6), em publicação na Truth Social, Trump defendeu a expansão da inteligência artificial e afirmou que ajudaria os estados interessados em adotá-la para gerar riqueza.
Payroll dos EUA cria 165 mil vagas em outubro, acima do esperado – Segundo o relatório divulgado nesta sexta-feira (6) pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, a economia americana criou 165 mil vagas fora do setor agrícola em outubro, acima das 65 mil esperadas por economistas consultados pela Reuters. A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%, enquanto o salário médio por hora avançou 0,4% no mês. O relatório também revisou para cima os dados de agosto, de 133 mil para 186 mil vagas, e de setembro, de 29 mil para 60 mil, acrescentando 84 mil postos ao total informado anteriormente. O resultado aponta para um mercado de trabalho mais resiliente do que o esperado.
Inflação da zona do euro sobe para 4,0% em outubro, maior nível em três anos – A estimativa preliminar divulgada nesta quarta-feira (4) pela Eurostat mostrou que a inflação anual da zona do euro acelerou de 3,8% em setembro para 4,0% em outubro, atingindo o maior nível em três anos. O resultado ficou em linha com as expectativas dos economistas consultados pela Reuters. O avanço foi impulsionado principalmente pela energia, cujos preços foram pressionados pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. O núcleo da inflação permaneceu em 2,5%, a inflação de serviços passou de 3,2% para 3,3% e os preços dos alimentos não processados subiram 4,6% em 12 meses. O Banco Central Europeu (BCE), que elevou os juros duas vezes neste ano e os manteve na reunião da semana passada, tinha uma nova alta em dezembro considerada provável por diversos dirigentes. Na ocasião, os mercados precificavam entre duas e três elevações da taxa de depósito, então em 2,5%, ao longo do próximo ano.
Crescimento dos serviços da China desacelera para o menor nível em três meses – Segundo pesquisa do setor privado divulgada nesta quarta-feira (4), o PMI de serviços da China, elaborado pela RatingDog, recuou de 51,6 pontos em setembro para 50,8 em outubro, o menor patamar desde julho. O indicador permaneceu acima de 50 pontos, nível que separa expansão de contração. A pesquisa apontou que os preços dos insumos avançaram no ritmo mais forte em cinco meses, enquanto as empresas reduziram os preços de venda pelo segundo mês consecutivo e a confiança empresarial caiu ao menor nível desde julho. Em contrapartida, os novos negócios de exportação cresceram pelo sexto mês seguido, a sequência mais longa desde 2024. O PMI industrial oficial também recuou, de 50,1 para 49,3 pontos, voltando ao território de contração.
Petróleo oscila e caminha para forte queda semanal – Os preços internacionais do petróleo oscilaram nesta sexta-feira (6). O Brent chegou a superar brevemente US$ 100 por barril durante a madrugada, após novos ataques a embarcações no Golfo e no Estreito de Ormuz reacenderem preocupações com a oferta, mas devolveu os ganhos ao longo do dia e operava perto de US$ 98 no início da tarde. A commodity caminhava para uma forte queda semanal. Na quarta-feira (4), o Brent recuou mais de 8% e fechou abaixo de US$ 95, em meio às expectativas de redução das tensões após as eleições nos EUA. Na quinta-feira (5), uma alta autoridade iraniana disse à Reuters que o país enviou a Washington, por meio do Catar, uma proposta nuclear condicionada ao atendimento de sete exigências. Segundo a autoridade, o documento estava sob análise dos Estados Unidos, sem acordo anunciado.
NACIONAL
Brasil segue com maior juro real do mundo após Copom manter Selic em 13,75% – O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu por unanimidade manter a Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4), interrompendo a sequência de cinco cortes iniciada em março. Com a decisão, o Brasil permaneceu na liderança do ranking de juros reais elaborado pela MoneYou e pela Lev Intelligence, com taxa de 9,49%, calculada a partir das projeções de juros e inflação para os próximos 12 meses. No comunicado, o Banco Central apontou aumento das incertezas, aceleração da inflação e expectativas mais distantes da meta. O Comitê manteve o balanço de riscos com assimetria altista e afirmou que o cenário exige serenidade e cautela, sem indicar os próximos passos.
Produção industrial recua 0,8% em setembro e fica abaixo das projeções – Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial brasileira recuou 0,8% em setembro na comparação com agosto. A queda foi maior que as retrações de 0,2% na variação mensal e de 1,7% na comparação anual esperadas por economistas consultados pela Reuters. Frente a setembro de 2025, a produção caiu 2,5%. Entre as principais influências negativas ficaram coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com recuo de 4,2%, e produtos alimentícios, com queda de 1,7%. As indústrias extrativas avançaram 1,7%, enquanto os bens de capital recuaram 1,9%. Desde maio, a indústria acumula perda de 4,1%.
PMI industrial do Brasil sobe em outubro, mas setor segue em contração – Pesquisa da S&P Global divulgada nesta terça-feira (3) mostrou que o PMI da indústria brasileira passou de 44,8 pontos em setembro para 46,1 em outubro. O indicador permaneceu abaixo de 50 pontos, nível que separa expansão de contração. A produção e os novos pedidos continuaram em queda, embora em ritmo menor, enquanto os estoques elevados dos clientes e a demanda fraca pesaram sobre as encomendas. As pressões sobre os custos diminuíram, mas permaneceram elevadas. Reajustes de fornecedores e energia mais cara associada à guerra no Oriente Médio levaram as empresas a repassar parte desses aumentos aos preços de venda. A confiança empresarial atingiu o maior nível em nove meses, com empresas esperando uma melhora da demanda após as eleições.
Brasil cria 121,3 mil vagas formais em setembro, abaixo das expectativas – De acordo com dados do Novo Caged divulgados nesta quarta-feira (4) pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o Brasil abriu 121.305 vagas com carteira assinada em setembro, resultado de 2.214.437 admissões e 2.093.132 desligamentos. O saldo ficou abaixo das 170.852 vagas esperadas por economistas consultados pela Reuters e foi o menor para um mês de setembro desde o início da série do Novo Caged, em 2020. Serviços lideraram a criação de vagas, com 81.241 postos, enquanto a agropecuária fechou 4.381. De janeiro a setembro, foram criadas 1.248.914 vagas formais, e o estoque de empregos chegou a 48,36 milhões.
Focus eleva projeções de inflação e Selic no primeiro levantamento após as eleições – Segundo o Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (3) pelo Banco Central, a projeção para o IPCA de 2026 subiu de 5,19% para 5,22%, enquanto a estimativa para 2027 passou de 4,34% para 4,76%. A mediana para a Selic ao fim de 2026 avançou de 13,25% para 13,50% ao ano, e a de 2027 subiu de 11,75% para 12,50%. Para o dólar no fim de 2026, a projeção passou de R$ 5,05 para R$ 5,34. Já a estimativa de crescimento do PIB neste ano recuou de 1,80% para 1,76%.
Data Referência (30/10/2026 até 05/11/2026):
CDI: 0,20%
Global BDRX: -3,48%
Ibovespa: -1,77%
IDkA IPCA 2 Anos: 0,32%
IMA Geral ex-C: 0,20%
IMA-B: -0,08%
IMA-B 5: 0,30%
IMA-B 5+: -0,31%
IRF-M: 0,47%
IRF-M 1: 0,21%
IRF-M 1+: 0,57%
S&P 500 (Moeda Original): -4,75%
IPCA + 6,31%: 0,16%